1 de maio de 2012

Avaliação da Estabilidade de Captopril Adaptado Para Uso Via Sonda

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Avaliação da Estabilidade de Captopril Adaptado Para Uso Via Sonda em um Hospital Universitário


Carlos Leonardo Maciel de Araújo; Waldenice Alencar Morais; Cícero Flávio Soares Aragão

Departamento de Farmácia da UFRNe Laboratório de Farmacotécnica, Natal, Brazil

Introdução: o uso de medicamentos por sonda tem se tornado prática comum na maioria dos hospitais e apresenta-se como alternativa para a administração oral de medicamentos. No sistema de distribuição por dose individualizada, os medicamentos são prescritos e dispensados pela farmácia para a dose de 24 horas. Os medicamentos adaptados (triturados) para administração por sonda seguem o mesmo esquema de dispensação. Neste processo, formas farmacêuticas sólidas têm a sua integridade original destruída passando à condição de pó. Esse procedimento apresenta enorme potencial para interferir nas características físico-químicas e farmacológicas do medicamento, podendo comprometer a sua eficácia terapêutica.

Objetivo: caracterizar a estabilidade de comprimido de captopril adaptado para uso via sonda em pacientes do Hospital Universitário Onofre Lopes (HUOL), estabelecendo critérios de segurança para a sua utilização no sistema de dose individualizada.

Método: foi realizada uma avaliação qualitativa das prescrições dos pacientes para identificar os medicamentos administrados via sonda, com posterior revisão de literatura sobre as características físico-químicas e a estabilidade dos medicamentos adaptados. Comprimido de captopril 25 mg foi escolhido para o início do estudo por questões de demanda, suscetibilidade de instabilidade e importância terapêutica. Delineou-se a avaliação da estabilidade do triturado através da quantificação do teor do fármaco no intervalo de tempo de 1 a 48 horas, a qual garante condições seguras no esquema de dispensação adotado. O teor de umidade foi avaliado nas mesmas condições. A avaliação do teor de captopril foi realizada conforme metodologia da farmacopeia brasileira IV (fb-iv). A técnica de adaptação usada foi padronizada pelo serviço de farmácia do hospital com o acondicionamento do triturado em seringas dosadoras. Procedeu-se teste da matéria-prima em caráter comparativo.

Resultados: foram adaptados 3.393 Medicamentos de dezembro de 2010 a maio de 2011, dos quais 57,93% (1.965,5/3.393) São fármacos anti-hipertensivos, com o captopril representando 10,53% (207/1965,5) destes. A estabilidade do captopril comprimido mostrou-se decrescente para o período de 48 h, atingindo níveis inferiores ao preconizado nas farmacopeias americana (usp-30) e brasileira . O fármaco apresentou degradação de aproximadamente 10,41±1,1% do teor declarado, atingindo valores
inferiores a 90% após as primeiras 12 h. A degradação máxima de 12,34% do fármaco foi observada após 48 h. A matéria-prima, submetida ao mesmo tipo de análise, apresentou 2,07±0,5% de perda no teor de captopril. A umidade adquirida para o mesmo intervalo foi de 0,02±0,04% para o comprimido e de 0,03±0,02% para a matéria-prima.

Conclusão: o teor do fármaco deve ser assegurado desde o momento da adaptação até a dispensação para garantir a eficácia do tratamento. Revisão de literatura revelou completa escassez de estudos na área de interesse. Não foram encontrados relatos em estudos científicos que comprovem a estabilidade do medicamento submetido a esta técnica para uso no sistema de dose individualizada. Este estudo revelou a
instabilidade do comprimido de captopril adaptado para uso por sonda. A degradação do princípio
ativo é suficiente para desaconselhar a utilização do medicamento por esta via de administração para intervalos superiores a 12 h após o processo de trituração.

Referência: Poster in: VIII Congresso Brasileiro de Farmácia Hospitalar. 24 a 26 de novembro de 2011. Salvador: BA