13 de setembro de 2011

Pomadas oftálmicas

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As pomadas têm ação mais duradoura que os colírios. Sua remoção se dá em uma taxa de 0,5% por minuto, o que leva à remoção completa em aproximadamente 3 horas e 30 minutos e lhes confere a vantagem de uma administração menos freqüente que os colírios.
Apesar disso, as pomadas não conseguem proporcionar uma concentração de princípios ativos nos tecidos tão alta como as obtidas por instilações freqüentes dos colírios (a cada 30 minutos ou a cada hora), quando se necessita de uma terapia intensiva como nas endoftalmites e úlceras corneanas infecciosas.
Pode ocorrer também com as pomadas a formação de uma barreira mecânica que impede a penetração de outro produto, na forma de colírio. Nesse caso, os pacientes deverão ser orientados para instilar o colírio 5 minutos antes da aplicação da pomada oftálmica.
As pomadas oftálmicas usualmente contêm lanolina anidra em base de óleo mineral ou petrolato. A lanolina é usada nas pomadas para facilitar a dispersão dos componentes hidrossolúveis. Entretanto, é considerada um agente potencialmente sensibilizante, podendo causar reações alérgicas locais.

Pós devem estar reduzidos a sua forma impalpável por trituração em gral. Não usar solventes voláteis quando levigar pós, pois o solvente poderá evaporar e carregar cristais do fármaco com ele. Quando misturar as fases aquosa e oleosa para uma emulsão líquida, aquecer a fase aquosa alguns graus acima da fase oleosa antes da mistura, é muito útil. A fase aquosa tende a esfriar mais rapidamente que a fase oleosa.

Quando preparar bases para pomadas, aquecer os componentes com ponto de fusão mais alto primeiramente, seguido da adição dos componentes com menor ponto de fusão, em ordem, até que todos tenham sido adicionados.

Para a manipulação de pequenas quantidades de pomadas de consistência macia, a trituração em uma placa de vidro ou granito com uma espátula de metal flexível ou de plástico é o método mais prático e adequado para a mistura e incorporação de líquidos ou sólidos.

Espátulas de inox são adequadas para a manipulação da maioria das substâncias, entretanto não devem ser utilizadas para o preparo de pomadas com mercúrio, ácido tânico, ácido salicílico, iodo.

Antes da incorporação na pomada, pós insolúveis precisam estar finamente divididos e levigados com a própria base fundida ou um líquido levigante, conforme a descrição do processo de incorporação de ativos abaixo. Este procedimento evita a arenosidade na pomada, decorrente da má dispersão dos ingredientes sólidos. Pomadas arenosas são uma abominação para a farmácia e podem irritar a pele. O farmacêutico não deve nunca dispensar uma pomada que não esteja perfeitamente homogênea e com os ativos completamente dispersos.

O aquecimento pode ser usado para amolecer pomadas antes de serem acondicionadas em potes ou tubo, facilitando o trabalho. Deve ser feito com cuidado para evitar a estratificação dos componentes. Quando colocar pomadas liquefeitas em tubos ou potes, resfriar a pomada até poucos graus acima do ponto de solidificação. Isso minimiza a formação de camadas de pomadas no acondicionamento.

Referência: Souza GB. Formulação Magistral para Oftalmologia, 1ª ed. Pharmabboks Editora. São Paulo:SP